
O Pará cada vez mais inspira pautas jornalísticas em todo o mundo voltadas à divulgação do turismo, setor que contribuiu com a visita, só em 2012, de cerca de 1 milhão de turistas ao Estado, gerando uma renda de cerca de R$ 450 milhões. São insumos atrativos do turismo do Pará, principalmente a cultura e natureza, marca registrada de todas as seis regiões turísticas do estado: Belém, Marajó, Tapajós, Amazônia Atlântica, Araguaia Tocantins e Xingu.
Para impulsionar ainda mais essa divulgação a Companhia Paraense de Turismo (Paratur) e a Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo do Estado do Pará (Abrajet Pará), com apoio da Secretaria de Estado de Turismo do Pará (Setur), Abrajet Nacional e Sindicato dos Jornalistas do Estado do Pará (Sinjor) lançaram em junho de 2011 a 2ª edição do Prêmio de Jornalismo em Turismo “Comendador Marques dos Reis’’, cujas inscrições seguem até o dia 15 de junho, através do blog WWW.PREMIODEJORNALISMO.BLOGSPOT.COM.BR
A grande inspiração ao nome do prêmio é o Comendador Joaquim Marques dos Reis, que nasceu em Portugal, na Vilar Torpim. Aos 14 anos, já em Lisboa, embarcou no navio Anselmo para atravessar os mares em busca de um novo mundo. A chegada em Belém do Pará aconteceu em 26 de novembro de 1936. Foi pioneiro no turismo no Estado do Pará, onde organizou a primeira viagem de turismo entre Belém e Lisboa, ação que lhe rendeu homenagens do governo brasileiro e de Portugal. Foi também pioneiro no colunismo social especializado em turismo quando, em 1955, à convite do empresário de comunicação Paulo Maranhão, ingressou na extinta Folha do Norte. Marques dos Reis assinava a página dominical “Terras de Portugal”, na Folha do Norte, depois no jornal O Liberal e em seguida no Diário do Pará, onde descrevia as belezas de Portugal fazendo com que as pessoas tivessem curiosidade em conhecer aquelas maravilhas que eram mostradas todos os domingos até no ano 2001. Em Portugal, através de diversas entrevistas concedidas a jornais e rádios portugueses, Marques dos Reis sempre enaltecia as belezas turísticas de Belém, Mosqueiro, Marajó, Santarém e outras do Pará.
A Viagem da Primavera, que levou de navio o primeiro grupo de turistas do Brasil para Portugal, aconteceu em 1960, fato que culminaria com o reconhecimento do governo português pela intensa divulgação que promovia, lhe condecorando com a Comenda da Ordem do Infante Dom Henrique. Após algumas viagens idênticas, recebeu uma notificação da IATA (órgão internacional que regulamenta o funcionamento das companhias aéreas), de que viagens desse porte deveriam ser feitas por uma agência de viagens. Assim, em 22 de agosto de 1962, nasceu a Lusotur, fazendo do Comendador um empresário do setor turístico. Marques dos Reis fundou ainda em 1973, o Equatorial Palace Hotel, moderno e confortável empreendimento embelezou a Presidente Vargas, uma das mais ilustres avenidas de Belém, cenário de muitos eventos sociais. O Comendador faleceu em 28 de novembro de 2001, curiosamente, dois dias depois da data de sua chegada ao Brasil.
HOMENAGEM MERECIDA
Para colegas de profissão, familiares, amigos e admiradores do Comendador, a homenagem é mais que merecida.

“A homenagem é muito justa por que o Comendador foi e continua sendo um exemplo de que o turismo e a comunicação são duas ferramentas importantes para o desenvolvimento econômico e social, seja do Brasil, de Portugal ou de qualquer país. Ele estava certo e seu exemplo precisa ser reconhecido”. Diz Adenauer Góes, secretário de Estado de Turismo do Pará, que sugeriu à Abrajet Pará o nome do homenageado.
Para o comunicador Horácio Neves, representante da Edituris Editora Jornalí¬stica Ltda, cujo principal veículo é o Brasilturis Jornal, voltado há 30 anos principalmente aos agentes de viagens e demais profissionais do turismo, a homenagem da Paratur e Abrajet ao Comendador é sem dúvida muito honrosa.
“Joaquim Marques dos Reis trouxe de Portugal duas coisas muito importantes: a cultura da língua portuguesa e o desejo de conhecer o mundo através de viagens, algo que ele utilizou a vida inteira. Através de seu conhecimento abrangente na área ele foi considerado o pioneiro no jornalismo brasileiro em uma época em que eu também estava começando, no inicio dos anos 60, quando o Brasil começou a se preocupar também com o turismo”. Afirma Horácio, que também é originário de Portugal e muito tem contribuído para o desenvolvimento do turismo brasileiro, de Portugal e de outros países e em especial para o jornalismo especializado na área. “Eu acho muito meritório, é muito bom saber que ele receberá essa merecida homenagem. Desejo sucesso ao prêmio.” Afirma Horácio, que será um dos jurados do Prêmio de Jornalismo em Turismo, Joaquim Marques dos Reis. Confira o depoimento.
“Meu pai promoveu vários intercâmbios turísticos, primeiramente entre Belém e Portugal, em seguida para outros países da Europa como Espanha, França, Suiça, Itália, Holanda, Alemanha, Bélgica e Inglaterra. Após ter fundado a Lusotur, fretava modernos boeing ora da Varig, ora da Tap, que saíam direto de Belém para Lisboa, e voltavam também direto, trazendo além dos paraenses que tinham ido nas excursões, turistas portugueses, espanhóis, franceses, italianos, ingleses e de outras nacionalidades européias”. Relata João Marques, filho do Comendador Joaquim, que acompanhou desde o inicio a trajetória do pai.
“Aqui, esses turistas além de conhecerem Belém, eram também levados à Mosqueiro, Marajó, Santarém, indo até Manaus. Adquiriam, além de uma boa visão, uma nova idéia do que é a Amazônia. Nossa família vê, portanto, na instituição deste Prêmio, a coroação desse trabalho do meu pai. Diz João Marques, ao informar ainda que o também jornalista especializado em turismo Fernando Castro Júnior, chegou a relatar que certa vez, viajando de trem pela França, ao parar na estação da cidade de Bordeaux, se deparou com o Comendador afixando cartazes com paisagens marajoaras, sendo uma de um vaqueiro montado em um búfalo ao pôr-do-sol, e outra mostrando uma revoada de guarás, e onde se lia: ‘Brazil, Amazônia, by Lusotur’. Fernando percebeu logo que se tratava do Comendador Marques dos Reis, que pessoalmente afixava os cartazes naquela estação de trem, como os afixou em muitas estações de metrô das principais cidades da Europa. Fernando de Castro Júnior assinou no Diário do Pará por décadas também uma página de Turismo.

Segundo João Marques, além da criação da agência de viagens, o Comendador detectou a necessidade de construir em Belém um hotel equivalente aos que ele e as suas excursões freqüentavam. Em 1 º de outubro de 1973 abriu, assim, o Equatorial Palace Hotel, no bairro de Nazaré, hoje arrendado como Belém Soft Hotel. “Depois de três dias de abertura do Equatorial Palace, ele chegava trazendo mais um boeing fretado pela Lusotur onde vinham além de paraenses retornando da excursão, um grupo de quarenta turistas europeus que assistiram ao Círio de Nazaré e não esconderam a sua empolgação ao verem a magnitude da grande festa paraense onde na ocasião foi oferecido um almoço tipicamente paraense no hotel onde os turistas ficaram maravilhados com a receptividade. No ano seguinte veio um grupo de 115 turistas europeus’, lembra João Marques.
“Simpático, brincalhão, pontual, exigente nos compromissos e empreendedor. São características que marcavam a presença do pioneiro no turismo no Estado”. Descreve o colega de redação da extinta Província do Pará, o jornalista Olavo Dutra, ao contar que uma vez por semana tinha o privilégio de estar em contato com o Comendador Joaquim Marques dos Reis. “Acho justa a homenagem que lhe fazem os setores de turismo do Estado dando o nome do comendador ao concurso onde ele expressou em sua página de turismo a visão segundo a qual o Pará tem potencialidade e que bastaria explorar - justamente o que ele fez e com resultados satisfatórios.”
De uma geração mais recente no jornalismo brasileiro, a jornalista nordestina Dulcivânia Freitas, se dedicou por muitos anos à comunicação no Pará, escrevendo sobre o turismo para inúmeros jornais e revistas nacionais. Ela relata que foi assistente do Comendador Marques dos Reis na edição da coluna Terras de Portugal e lembra dele como uma pessoa que era apaixonada pelas lembranças da infância e de Portugal. Descreve o jornalista e empresário com alguém rebuscado, detalhista e que prezava pelo português correto, que adorava pesquisas, leituras e sempre visitava a biblioteca do Centur. Nos fins de semana, gostava de reunir a família no clube do Grêmio Literário Português, na Rodovia Augusto Montenegro, por quem tinha um amor imenso. “A homenagem a ele é justa porque ele deixou sua contribuição para o jornalismo especializado em turismo e cultura, valorizando e revelando os ambientes e a cultura de várias cidades de Portugal, desde aquelas mais visitadas até as mais desconhecidas dos circuitos comerciais e pela importância da coluna dele, Terras de Portugal, para a divulgação do Brasil, do Pará e de Portugal’. Completa Dulcivânia, hoje assessora de comunicação da Embrapa do Amapá, onde vive.

A presidente da Paratur, Socorro Costa, diz que o prêmio vai ao encontro das estratégias de divulgação e promoção do turismo paraense elencadas pelo Plano Ver-o-Pará. “É uma ação complementar ao programa de Press Trip da Paratur, através do qual trazemos ao Pará anualmente centenas de jornalistas de turismo, com a missão de divulgar o nosso Pará enquanto a obra-prima da Amazônia”. Diz Socorro, ao explicar que os trabalhos jornalísticos deverão divulgar os principais produtos turísticos das seis regiões do estado: Belém, Marajó, Tapajós, Amazônia Atlântica, Araguaia Tocantins e Xingu, considerando os segmentos de cultura, natureza, sol e praia, eventos e negócios elencados pelo Ver-o-Pará.
O repórter fotográfico João Ramid, que preside a Abrajet Pará, será jurado na categoria fotojornalismo e recomenda atenção aos concorrentes. “A essência do turismo é traduzida pela imagem. Os candidatos devem estar muito atentos ao tema e ao regulamento do Prêmio. Em um estado como o Pará, onde temos tantas opções de se fazer turismo, com certeza não vai faltar inspiração aos candidatos”. Lembra Ramid, que acumula muitos prêmios com excelentes fotografias que retratam o Pará em diversos segmentos.

A segunda edição do Prêmio de Jornalismo em Turismo é uma realização da Companhia Paraense de Turismo (Paratur) e Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo do Estado do Pará (Abrajet Pará), com apoio da Secretaria de Estado de Turismo do Pará (Setur), Abrajet Nacional e Sindicato dos Jornalistas do Estado do Pará (Sinjor).
“A premiação soma o valor de R$ 115.000,00 mil (centro e quinze mil reais) em espécie, que serão distribuídos para cada uma das cinco categorias: jornalismo impresso, telejornalismo, radiojornalismo, webjornalismo e fotojornalismo. Deste valor, os vencedores do 1° lugar receberão cada R$ 10 mil, excluídos os impostos obrigatórios, em cada uma das 5 categorias, totalizando R$ 50mil . Para o 2° lugar são R$ 8 mil para cada vencedor das 5 categorias, num total de R$ 40 mil reais. Já o 3° lugar receberá R$ 5 mil em cada uma das 5 categorias, totalizando R$ 25 mil reais em premiação”. Explica a diretora da Abrajet e gerente de Comunicação da Paratur, Benigna Soares. “As matérias produzidas entre junho de 2012 e maio de 2013, juntamente com a ficha de inscrição, devem ser encaminhadas para a sede da Companhia Paraense de Turismo (Paratur), até o dia 15 de maio de 2013. A Paratur está localizada na Praça Maestro Waldemar Henrique, s/n, CEP: 66.010-040, no bairro do Reduto, em Belém”. Alerta a jornalista.
Texto: Tâmara Monteiro e Anne Chantarllen - GEC - Paratur
