A pandemia causada pela Covid-19 mudou vidas, rotinas, o mundo do trabalho, eventos e até tradições. A população paraense já se prepara para um Círio de Nazaré diferente, em que a maioria das atividades será realizada virtualmente. Uma pesquisa realizada em parceria pela Secretaria de Estado de Turismo (Setur) e o Dieese Pará aponta que, em 2019, mais de 83 mil turistas estiveram em Belém para acompanhar a festividade religiosa, injetando na economia paraense aproximadamente 31 milhões de dólares, ou o equivalente a 120 milhões de reais, na conversão do câmbio do ano passado.
Os principais estados emissores de turistas para o Círio de 2019 foram São Paulo (15%), Maranhão (14%), Rio de Janeiro (10%), Amapá (10%) e Ceará (6%). Do total de visitantes, de acordo com o gênero, o público masculino foi de 52% e o feminino 48%. Dentre os principais meios de hospedagem, hotel apareceu em primeiro lugar com 47%, seguido de casa de parentes com 21% e casa de amigos com 18%. Já no que diz respeito ao meio de transporte, a grande maioria dos turistas escolhe a viagem de avião (74%) como a melhor opção.
Outro dado relevante, é que 97% dos visitantes afirmaram querer voltar em 2020. Os locais mais visitados durante a estadia em Belém por estes turistas foram a Basílica de Nazaré com 28%, Estação das Docas com 26% e Ver-o-Peso com 21%. Além de mostrar a importância econômica do Círio para a economia paraense, a pesquisa aponta impactos sobre diversos setores com a não realização das procissões este ano, a exemplo do comércio, indústria e a agropecuária.
O secretário de Estado de Turismo, André Dias, afirma que o pensamento também já está no Círio de 2021. “Agora fica a interrogação sobre o que vamos ver nesse novo Círio 2020, virtual, sem as procissões e qual será a movimentação de pessoas que vamos observar. Vamos fazer a pesquisa novamente para fins de registro histórico. Sabemos que não vamos atingir esse mesmo número, mas queremos observar e registrar o que vai acontecer nesse contexto. E aproveitar esse Círio virtual para que a gente possa convidar todos aqueles que não vão poder estar conosco em Belém este ano para que venha em 2021 e possamos bater todos os recordes de visitantes”.
Almoço – Outra pesquisa coordenada pelo Dieese Pará fez um levantamento envolvendo os produtos que fazem parte do tradicional almoço do Círio. Este ano os paraenses devem se preparar para um aumento expressivo em muitos alimentos, principalmente na maniva, ingrediente fundamental para a maniçoba, prato típico desta época do ano.
O estudo na Região Metropolitana de Belém avaliou o preço da maniçoba de 04 a 10/09/2020. Nas feiras livres, o quilo da maniva crua está sendo comercializado ao preço médio de R$ 5,00. Já a maniva pré-cozida está custando entre R$ 6,00 e R$ 7,00. Nos supermercados o quilo da maniva pré-cozida ou cozida pode custar até mais de R$ 6,00 dependendo do local de compra. A tradição culinária leva para mesa dos paraenses vários produtos regionais que ainda devem ter reajuste de preço até o próximo mês. A recomendação é que os consumidores pesquisem os melhores preços na hora da compra ou que façam a substituição por produtos mais acessíveis quando possível.
