
Uma equipe da Secretaria de Estado de Turismo (Setur), com o apoio da secretaria de Saúde (Sespa), participou, nesta quarta-feira (10), de reunião com os pequenos comerciantes da praia de Beja, em Abaetetuba nordeste do Pará, distante 101 km da capital, Belém.
A agenda foi uma ação complementar à visita aos barraqueiros das praias do Conde e Caripi, realizada em 28/10, também para atualizar informações da situação das comunidades atingidas com o acidente com o navio boiadeiro “Haidar” no Porto de Vila do Conde, em 06/10, e a consequente interdição das praias devido ao óleo e carcaças de animais levadas pelas maré.
A exemplo da viagem às áreas do Conde, onde a praia ainda interditada, e Caripi, que a praia não chegou a ser interditada pela Defesa Civil; Beja foi a mais atingida por causa das correntes marinhas que convergem em direção à essa praia, prejudicando barraqueiros e pescadores.
Em mais de duas horas de reunião, o secretário da Setur, Adenauer Góes, a prefeita de Abaetetuba, Francinete Carvalho e o vereador Elton Maués, ouviram os relatos e protestos das lideranças locais, entre as quais a presidente da Associação dos Empreendedores de Barraqueiros de “Vila de Beja”, Silvia Adriane e a presidente da Associação dos Barraqueiros de Beja, Claudia Bartira, que apresentou uma reivindicação para melhorar o ambiente na praia.
Placa - Durante a defesa dos barraqueiros, diante da situação que estão vivendo no município de Abaetetuba, desde do acidente dom o navio, Bartira solicitou à prefeita Francinete Carvalho, a retirada da placa com a interdição total da praia e águas de Beja, e permitisse que as areias possam ser usadas “apenas para recreação” dos visitantes, turistas e moradores.
No início da discussão dessa proposta dos barraqueiros a prefeita Francinete e o Capitão William, responsável pela Defesa Civil na área de Beja, foram contrários à ideia, argumentando que “é difícil segurar os banhistas longe das águas impróprias ao banho, impedindo qualquer controle de crianças”, ressaltaram.
Os moradores e barraqueiros entraram na discussão, por uma solução, e se comprometeram a ajudar a Defesa Civil a fiscalizar a atitude dos moradores e turistas para respeitar o uso do local “limitado apenas à prática da recreação”, com o objetivo de incentivar os barraqueiros a enfrentar o momento de dificuldades, situação que também atinge os pescadores de peixe e camarão, atraindo com eventos os moradores e turistas dos municípios vizinhos à praia.
A associação dos barraqueiros já vinha solicitando que a placa fincada nas areias da praia, com as inscrições: “Interditada, Local Contaminado. Impróprio para Recreação e Pesca -, seja retirada e que a prefeitura de Abaetetuba retire apenas “imprópria para recreação”, pleito aceito pela prefeitura e Defesa Civil, restrito à condição do cumprimento do que ficou acertado entre as partes.
A situação ficou mais calma quando chegou a informação, durante a reunião, de que a empresa contratada pelo armador da embarcação já havia retirado dos reservatório do “Haidar” 400 mil litros de óleo, do tipo BPF (Óleo de Baixa Fluidez), dos 750 mil litros que estavam nos tanques do navio boiadeiro na madrugada do acidente, em 06/10 com o cinco mil bois.
“Eu não estava concordando em levantar a interdição porque isso é um problema de saúde pública. Tenho que dormir com minha consciência tranquila. Temos que ter responsabilidade. Mas, sem o uso das águas, ainda impróprias ao banho, aceitamos liberar para futebol e outros eventos, nas areias, e demos um voto de confiança. Todos precisam trabalhar nessa crise, alertou a prefeita de Abaetetuba Francinete Carvalho.
Para o secretário de Turismo Adenauer Góes, as dificuldades dos barraqueiros e pescadores são entendidas, respeitadas, mas alguma solução precisa ser encontrada para ajudar a minimizar os problemas com a interdição da praia de Beja e das outras comunidades atingidas. Beja foi a mais castigada, inclusive doze ilhas do município.
“Estamos nesse esforço institucional do governo do Estado, orientação do governo, de acompanhar os acontecimentos, desde o dia seguinte ao acidente, com um Gabinete de Crise instalado. E no turismo temos que combinar uma estratégia de enfrentamento. Aqui ninguém veio prometer nada. Visitamos esses municípios desde 2013, trazendo qualificação profissional e a “Incubadora de Eventos”, e queremos interagir mais com as lideranças locais em busca de soluções. Temos que acreditar em futuras melhorias, após esse acidente, finalizou Adenauer Góes.
Texto: Douglas Dinelly - Ascom Setur
Fotos: Divulgação / Setur
