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FITA fortalece posicionamento estratégico do Pará no mercado de turismo

Como se diferenciar enquanto destino turístico? Como inovar no setor? Como oferecer de fato produtos atraentes ao turista? Entre as autoridades públicas, empresários e profissionais presentes a noite de lançamento da 9ª edição da Feira Internacional de Turismo da Amazônia (FITA), nesta quinta-feira (17), no Hangar, a ex presidente da Embratur, Jeanine Pires, responsável por proferir a palestra magna do evento, apontou alguns caminhos e alternativas que podem contribuir com o posicionamento estratégico do Pará no mercado turístico nacional e internacional. A feira vai ocorrer em abril de 2020, mas já vive sua primeira etapa denominada Módulo do Conhecimento, com a presença de operadores de turismo, agentes de viagem e jornalistas do Brasil e do exterior.

“O primeiro motivo para se diferenciar é o local onde a FITA se realiza. Estamos (na Amazônia), eu sempre digo, num produto estrela do Brasil. A região amazônica tem um valor muito especial, não só por aquilo que ela representa como produto turístico em si, mas pelo seu valor ambiental, social, cultural e por tudo que ela tem de brasilidade”, afirma a especialista em turismo e marketing de destinos.

De acordo com Jeanine Pires, a realização da FITA fortalece, sobretudo no Estado do Pará, e também todas pequenas cidades e localidades aonde ocorra atividade turística. Entretanto, ela pondera a necessidade de se atualização, de mudança na forma como se cuida do cliente, incluindo as mudanças tecnológicas. “É preciso mudar completamente o foco do negócio no Brasil, o que nós estamos demorando a fazer. O nosso foco tem que estar no turista e não no nosso negócio. A experiência do turista é o que mais vale. É nele que devemos introduzir novas tecnologias. É com ele que temos que cuidar de personalizar o destino. É para o turista que nós vamos direcionar todas as atividades, para que a imersão que ele faz dentro do destino possa de fato ser uma experiência transformadora na vida dele”, explica, ao falar das mudanças que estão acontecendo no mundo do turismo.

Para Bruno Wendling, que ocupa a presidência da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur) e também do Fórum Nacional de Dirigentes do Turismo (Fornatur), é importante conhecer um evento já consolidado, entender como o Pará está pensando o mercado e trocar experiências.

Wendling também destacou a possibilidade de trabalho conjunto do Pará e Mato Grosso do Sul para oferta de produtos ao mercado. “Por mais que a gente tenha diferenças de culturas regionais, temos alguns segmentos que são trabalhados de forma muito parecida. O Pará tem um belo bioma que a Amazônia e o Mato Grosso do Sul tem um belo bioma que é o Pantanal, então temos ações que podem convergir. É totalmente possível pensar em rotas turísticas integradas, que hoje é a dinâmica, principalmente, do turismo internacional. É muito salutar porque diversifica a oferta e aumenta a competitividade num mercado hoje mundial diverso. Quanto mais diversidade e produtos de qualidade únicos, com experiências únicas, exclusivas, maiores as chances de ofertar uma experiência de turismo inesquecível”, garante.

Segundo André Dias, secretário de Turismo do Pará, a FITA é um instrumento essencial para esse posicionamento estratégico do Estado. “A feira é fundamental para que primeiramente a gente possa comercializar os produtos que compõem o nosso destino tanto de Belém quanto do interior do Pará junto aos considerados buyers (compradores do setor), e também para que os demais estados e países da Amazônia internacional possam promover e vender seus produtos turísticos e comercializar os seus destinos para essa ampla rede de negócios e serviços que compõem a cadeia turística”

Jeanine Pires também pontuou a situação atual que o País vive no cenário internacional e os reflexos para a Amazônia. “O Brasil vive um momento difícil no exterior, porque nós estamos há algum tempo sem um trabalho contínuo de marketing internacional. Há na verdade uma ausência de posicionamento. Alguns fatores que tem impactado negativamente a nossa imagem. E acho que a região amazônica é afetada neste sentido, pois o que acontece aqui reverbera e é reproduzido no mundo inteiro pela importância que tem para a biodiversidade nacional, mas sobretudo mundial, e a nossa responsabilidade acaba aumentando. É preciso que ao mesmo tempo a gente mude a nossa realidade e comunique para o mundo aquilo que estamos fazendo. E esse é um trabalho árduo. Muitas vezes uma notícia negativa destrói dezenas de anos de trabalho. E você precisa recuperar isso, em especial, na área de relações públicas e de comunicação, pra esclarecer e de fato posicionar as nossas belezas, a nossa autenticidade e aquilo que o turista pode fazer em nosso País”, destaca.

“O lançamento da FITA tem um papel muito grande, que é de já preparar as pessoas no sentido do conteúdo, daquilo que eles vão poder desenvolver juntos e trocar experiências durante a realização do evento”, conclui Jeanine.

Texto: Israel Pegado

Fotos: Maíra Henriques